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sábado, 14 de setembro de 2013

domingo, 30 de junho de 2013

Frases de Manoel de Barros



# Tiradas da Exposição "Olhos de Barros" no Sesc Taubaté - SP #

"Escrevi 14 livros e deles estou livrado.
São todos repetições do primeiro."

No achamento do chão também foram descobertas as origens do voo.

Sei de conchas em mim ouvindo hinos.
Estou em vão.

Casebres em ruínas
muros
escalavrados...
e a lesma – na sua liberdade de ir nua
úmida.

De tarde
cigarras
arrebentam o verão.

O corpo do rio prateia
quando a lua
se abre.

A chuva
azula a voz
das andorinhas.

Grilo faz a noite menor para ele caber.

Caracol é uma solidão que anda na parede.

Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.

A gente é rascunho de pássaro.

Os passarinhos precisam antes de belos,
ser eternos...
eternos como a fuga de Bach.

Passarinhos são pessoas mais importantes do que aviões.
Porque os passarinhos vêm do inicio do mundo.
E os aviões são acessórios.

Gosto de brincar com as palavras mais do que de bicicleta.

Buscar a beleza nas palavras é uma solenidade de amor.

Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para se séria.

Tem mais presença em mimo que me falta.

As palavras me escondem sem cuidado.

Uso a palavra para compor meus silêncios.

Quem aumenta o azul das manhãs são os sabiás.

Tudo que não invento é falso.

Manoel de Barros.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Redescobrindo o já descoberto.


 Manoel de Barros

"Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com os sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim: O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz (...)”

Fragmento do texto de entrada do livro Poesia Completa-2010

''Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade. (...) Sou hoje um caçador de achadouros da infância. Vou meio dementado e enxada às costas cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos (...).''

Fragmento de Achadouros, do livro Memórias Inventadas -A infância-2003.